Pentecostes: A resistência amorosa do Evangelho
Em poucos dias celebraremos a presença do Espírito Santo no coração da humanidade. É o aniversário da Igreja, pois, com a ausência física de Cristo, cabe aos apóstolos e a todos nós seguirmos como testemunhas do Evangelho, animados pelo Espírito Santo que habita em cada um: “Eu estou em meu Pai, e vós em mim, e eu em vós” (Jo 14,20).
Temos vivido tempos difíceis nas relações humanas: indiferença, ira e violência por motivos fúteis. Recentemente vimos notícias de uma patroa que torturou uma funcionária grávida pelo desaparecimento de um anel — depois encontrado —, agressões em uma lanchonete por causa de cebola em um lanche, e até uma cliente que esfaqueou um cabeleireiro por causa de uma franja.
São exemplos tristes, mas reveladores de uma sociedade que perde, cada vez mais, o respeito pela dignidade humana, tão proclamada pela Igreja em diversos documentos, entre eles a recente declaração Dignitas Infinita, belíssimo texto iluminado pelo Evangelho sobre a dignidade da pessoa humana.
Em meio a tanta fealdade humana, muitas famílias sentem-se abandonadas nesse oceano de tribulações. O melhor modo de curar-nos desse abandono é abandonar-nos em Deus, isto é, confiar nossas vidas ao Senhor. Quando estamos distantes da margem de um rio profundo, se nos desesperamos e lutamos contra as águas, acabamos nos cansando e podemos afundar. Mas, se abrimos os braços, inflamos os pulmões e nos entregamos às águas, conseguimos boiar e, assim, chegar em segurança à margem. Precisamos confiar.
Um filósofo dizia: “Quem luta contra monstros deve cuidar para não se tornar um monstro também.” Precisamos vigiar para não nos embrutecermos diante da brutalidade do mundo. Em meio à aridez da realidade, permaneçamos com Cristo. Sejamos parte da “resistência” do Evangelho diante da fealdade humana, levando ao mundo a beleza de Cristo.
Para isso, precisamos resistir oferecendo ao mundo aquilo que lhe falta, e não aquilo que já lhe sobra. Falta ao mundo lucidez, serenidade, alegria e, sobretudo, confiança no nosso Defensor, nosso Advogado, o Paráclito, que habita em nós.
Confiemos nossas famílias a Deus e entreguemo-nos aos cuidados amorosos de Cristo. Especialmente neste mês de maio, que a Mãe de Jesus, Rainha da Paz, inspire todas as nossas famílias a fazerem parte dessa resistência amorosa do Evangelho.
Pe. Paulinho
