UMA RELÍQUIA DE SANTA CLARA: FÉ, MEMÓRIA E HISTÓRIA
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UMA RELÍQUIA DE SANTA CLARA: FÉ, MEMÓRIA E HISTÓRIA

Nesta festa de Santa Clara de Assis, nossa Paróquia recebe com profunda gratidão uma relíquia que traz consigo não apenas um significado religioso, mas também uma extraordinária memória histórica.

Santa Clara morreu em Assis no dia 11 de agosto de 1253. Após sua morte, seu corpo foi inicialmente levado para a igreja de São Jorge e, em 1260, transferido para a atual Basílica de Santa Clara. Com o passar dos séculos, o local exato do sepultamento acabou sendo perdido.

Somente quase seis séculos depois, no dia 23 de setembro de 1850, durante as escavações realizadas na Basílica de Santa Clara, o antigo sepulcro foi encontrado sob o altar-mor. A abertura do túmulo marcou um momento de grande emoção para a Igreja de Assis: os restos mortais da santa foram novamente encontrados e passaram a ser venerados pelos fiéis.
É justamente desse acontecimento que vem a relíquia que hoje temos entre nós.

O pequeno documento que a acompanha traz em latim a inscrição “Pulvis sepulcralis”, isto é, “pó sepulcral”, e registra que ele foi recolhido da urna da qual foi retirado o corpo de Santa Clara, Virgem de Assis e Fundadora, no dia 23 de setembro de 1850. Essa mesma fórmula é encontrada em registros históricos de outras relíquias de Santa Clara.

Por isso, o valor desta relíquia não está somente na pequena porção material que ela conserva. Está também na história que ela carrega: ela nos remete ao sepulcro de Santa Clara, à descoberta de seu corpo em 1850 e à longa tradição de veneração que atravessou gerações de franciscanos e fiéis.

Essa relíquia chegou até nós por um caminho igualmente especial. Em meio à organização e limpeza do coro de um santuário atendido pelos Frades Capuchinhos, ela foi encontrada dentro de um antigo breviário que pertencera a um dos frades que por ali passaram. Conservada em seu envelope e acompanhada de sua documentação, permaneceu guardada como testemunho de fé e devoção.

No dia 22 de janeiro de 2024, o Clérigo Eduardo, recebeu a relíquia do guardião dessa memória, para sua veneração particular. Hoje, com igual generosidade, ele a cede à Paróquia Santa Clara de Assis, para que possa permanecer entre nós e ser venerada pela nossa comunidade.

Assim, aquilo que um dia saiu de Assis, na Itália, percorreu um longo caminho através da história e da devoção franciscana, até chegar à nossa querida Birigui.
Não veneramos uma relíquia como quem adora um objeto. A veneração nos conduz à pessoa de Santa Clara e, por meio dela, a Cristo, a quem ela entregou inteiramente sua vida.

Que esta pequena relíquia nos ajude a recordar que a santidade não pertence apenas ao passado. Santa Clara continua sendo para nós uma presença espiritual, uma inspiração e uma intercessora.
Que, ao contemplarmos esta pequena memória material de sua história, possamos também renovar o desejo de viver como ela viveu: com simplicidade, pobreza, oração, amor à Eucaristia e fidelidade radical ao Evangelho.

De Assis a Birigui, atravessando séculos de história: Santa Clara chegou até nós como memória, como testemunho e, sobretudo, como convite à santidade.

Santa Clara de Assis, nossa padroeira, rogai por nós!