O Reino do Céu é como as Borboletas
Artigo:
O reino do céu é como as borboletas
A chama da vela que tremula à minha frente parece adequar-se ao ritmo do meu coração inquieto.
O último compromisso desta noite foi uma reunião com os membros da Pastoral Familiar. Gilberto falava do desejo de ver resultados no trabalho formativo ao qual vem se dedicando, com sua esposa, há anos. Leonardo nos recordou o quanto essa pastoral era ainda frágil, com poucos participantes, e o quanto ela se fortaleceu na participação, no serviço à paróquia, na acolhida às famílias, nos retiros, encontros e celebrações. Gláucia testemunhou o quanto a Pastoral a ajudou a amadurecer seus laços familiares. Irineu, sentindo-se grato, partilhou a redescoberta da espiritualidade ao ter sido resgatado — com a insistência da esposa — para a Igreja e para a vida da comunidade. Seguiram-se tantos outros comentários, todos eles belos e significativos.
Coloco-os diante de Ti, Senhor. Com as minhas mãos em prece, moldo um imaginário ramalhete de diversas flores, que adornam, com suave perfume, a construção do teu Reino — de modo concreto — e que se realiza no serviço de cada um desses meus irmãos e irmãs que seguem comigo nesta comunidade, unida por sonhos comuns, projetos e muitos desafios.
É aqui, Senhor, neste pedacinho do mundo, na cidade de Birigui, na Paróquia Santa Clara de Assis, que teu Reino para nós se concretiza: “Eis que o Reino de Deus está entre vocês” (Lc 17,21).
É claro que, às vezes, temos pressa e queremos ver teu Reino manifestar-se em toda a sua plenitude. No entanto, somos como as borboletas-monarca que migram do norte do continente para o sul, na busca de terras mais quentes. Nenhuma das que partem completa a viagem; ela acontece por diversas gerações de borboletas que param, fecundam ovos, e a nova geração segue a travessia.
Assim somos nós nessa travessia de volta para casa. Sabemos que não veremos o Reino de Deus manifestar-se plenamente aqui, no tempo e na história. Todavia, nossa viagem deve ser bela e fecunda.
Neste momento, penso com gratidão em todas as gerações — e, por que não, em tantas espécies — que nos precederam no tempo. Graças a elas, hoje somos o que nos tornamos.
Obrigado, Senhor, por mais este dia de semeadura. Sigo com esperança, confiando na tua graça que age na missão de cada irmão e irmã que encontrei hoje. Estamos todos a caminho, moldando a realidade, e teu Reino em construção manifesta-se na pequenez do grão de mostarda (Mc 4,31), na fortaleza da casa construída sobre a rocha (Mt 7,24) e também — por que não? — na perseverança das borboletas que migram para o sul.
Assim seguimos, Senhor, pela rota do tempo presente, com todas as suas surpresas; seguimos confiantes. Nossos corações não devem bater exasperados; devem permanecer serenos, como a suavidade das asas das borboletas ao se moverem.
A chama da vela à minha frente parece acompanhar o silêncio da noite calma e repousante. É este também o estado do meu coração.
Tudo é graça de Deus.
Pe. Paulinho
